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PRIMEIRO CHEGAM OS ANJOS

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    SAUDE&LIVROS Fomm
  • 21 de fev.
  • 12 min de leitura

por Isabel Fomm de Vasconcellos Caetano


Anjo, Suely Pinotti
Anjo, Suely Pinotti

Há muito, muito tempo que eu não pensava nele, nem sequer me lembrava da sua existência, aliás sempre muito pouco considerada, devo reconhecer, ao longo destas minhas quatro décadas de vida. Creio que, na primeira década, eu estivesse mais ou menos consciente de sua existência e atuação. Mas depois disso poucas vezes me dei ao trabalho de pensar nele.


Nesse final de ano, por causa da televisão, fomos comprar uns enfeites de Natal importados da China para abrilhantar o nosso lindo pinheiro (evidentemente natural). Anjos barrocos com cara de ocidentais mas feitos por chineses. Lindos, aliás. A árvore, que já estava maravilhosa com os enfeites de sempre, ganhou nova vida com a chegada dos anjos. Eu os estava pendurando nos galhos, totalmente concentrada na tarefa de dispô-los da forma mais perfeita no conjunto, quando senti que alguém me batia de leve nas costas. Deveria ter me assustado, pois o Mauro tinha ido comprar remédio contra azia, a empregada estava de folga (era sábado) e as portas do apartamento, fechadas.Uma leve sensação de desconforto me atingiu, alguma coisa mudara, mas eu não poderia dizer exatamente o que.


Curiosamente, voltei-me com tranquilidade e deparei com aquele estranho ser: um jovem louro, de cabelos compridos cortados como os de um roqueiro,jeans desbotados e furados propositalmente, camisa xadrez... Ele me fitava placidamente e fiquei por um instante atônita, embora nem um pouco assustada. Na verdade, ele lembrava-me levemente o Cássio, jovem assessor de imprensa da Secretaría Municipal de Saúde, um sujeito muito bom, de alma pura e coração limpo. Talvez por isso não tenha gritado de susto com a presença inexplicável daquela figura em minha sala de visitas. Ia abrindo a boca para dizer qualquer coisa quando ele sorriu levemente, esticando as longas asas brancas, que brilharam, em contraste com a camisa xadrez.Aí, eu pirei. Quem era final aquela aparição?(Sim, porque agora eu tinha certeza que era uma aparição). Ia abrindo outra vez a boca, mas foi ele quem falou:

-- Até que enfim me dão uma colher de chá...


Eu estava surpresa demais pra tentar dizer o que quer que fosse.

Ele recolheu as asas, não sem antes fazer com elas um movimento que identifiquei como um espreguiçar-se e, muito à vontade, deixou-se cair no sofá. Limpou um cisco do ombro e continuou:

-- Todos estes anos aguentando você e suas irresponsabilidades e nenhuma, nenhuma colher de chá...


Sacudi a cabeça prá ver se tudo voltava ao normal e arrisquei:

-- Você é um anjo...


Ele pulou com uma agilidade incrível em minha direção e explodiu, dedo em riste, a 10 cms do meu nariz:

-- Um anjo uma ova!! Como Ousa?! Eu sou o SEU anjo!


Foi a minha vez de desabar na poltrona mais próxima, dizendo com um fio de voz:

-- O meu anjo da Guarda...

 

-- Ela finalmente desconfiou -- disse ele, irônico, a uma terceira pessoa invisível.


-- Mas...mas...


Com um pulinho gracioso, voltou ao sofá, acendeu um Malboro (do meu maço) e ficou curtindo os rolinhos de fumaça. Passou-se um instante interminável e eu simplesmente não podia encontrar nada para dizer. Finalmente, ele continuou:


-- Pensei que você nunca ia me dar uma chance. Aliás, tive que brigar com o meu Supervisor para poder aparecer hoje, já que ele é teimoso e considerava insuficiente o apelo destas imagens chinesas, argumentando que você estava apenas pensando em embelezar a árvore, quando deveria estar pensando especificamente em mim. Mas eu sou um anjo esperto. Aliás, se eu não fosse muito, muito esperto você já teria ido desta para uma melhor. Não pense que eu vim aqui lhe trazer um carro novo, ou mais patrocínios para os seus vídeos médicos. Nada disso. Eu vim foi mas é cobrar as suas atitudes absolutamente irresponsáveis com relação à sua própria sobrevivência. Você entra em férias, mas não eu. E já estou cheio de ficar correndo feito um doido prá segurar a sua barra como por exemplo...


Bom, aí eu diplomaticamente achei que era hora de interromper:

-- Você estava explicando como convenceu o supervisor...


Deu certo. Por alguma estranha lógica, eu imaginara que, já que ele era afinal o meu anjo, deveria ser um pouco parecido comigo e, portanto, deveria também adorar ficar falando em si mesmo. Como eu previa, mudou rapidamente de assunto e se pôs a explicar como convencera o supervisor, usando argumentos do Livro de Regras Para Anjos da Guarda, numa excepcional capacidade de enrolação que fêz com que eu pensasse que, no final das contas, ele talvez não fosse tão parecido assim comigo...Mas, certamente, era um anjo acostumado aos procedimentos burocráticos, coisas que a mim enlouquecem.

-- E, assim, -- concluía ele -- obtive permissão para aparecer e aqui estou.  Eu bem que andava louquinho por uma oportunidade de dizer claramente a você tudo o que eu penso desta inglória tarefa de preservar o seu bem estar quando você faz tudo para acabar com ele como por exemplo...


Ops! Hora de interrompê-lo, depresssinha:

-- Mas, escute seu anjo...


-- Meu nome é Lebasi! -- disse ele irritado.


-- Escute, Lebasi, tem uma coisa que eu não entendo...Você ficou tão bravo, dizendo que é o meu anjo da guarda. Ora, não fosse pelas asas...você nem pareceria um anjo. E tem mais --arrisquei, já sentindo que poderia enfrentá-lo-- você nem mesmo parece um anjo.


-- Ela queria que eu fosse igual a esses aí, da árvore... --disse com um risinho para a tal terceira pessoa invisível, um risinho aliás tipicamente homossexual.


-- Você é debochado, antipático e enrolador --rebati--muito mal

educado também, para um anjo ou mesmo para um jovem.Se você é, como diz, o meu anjo da guarda e eu tenho quase 42 anos, porque essa roupa e essa aparência de Axl Rose?


-- Pretensão e água benta...Ai...Ela acha que a minha aparência é condicionada por aquilo que ela pensa que é...


-- Pare de falar comigo se dirigindo a outro! --gritei irritada.--Você já está me cansando com a sua arrogância! Quem lhe deu o direito de invadir a minha casa? E, mais, quem lhe deu o direito de usar de forma causuística o regulamento dos anjos e a paciência do seu supervisor só prá vir me esnobar no meio do sábado?


Ele fitou as unhas da mão afetadamente, deu um longo suspiro e disse com toda a calma:

-- Prá começar, minha cara, você me deu o direito. Mas, prá continuar, eu não preciso do direito uma vêz que não estou invadindo nada, nós estamos apenas usufruindo de uma dobra temporal. Eu estou cansado de saber que você não é nem um pouco observadora, embora devesse ser já que é uma videomaker, fotógrafa com pretensões a escritora de ficção científica e...


-- Eu sei o que sou! Não desconverse!!


-- Pois bem--continuou-- estamos numa dobra do tempo, olhe à sua frente.


Quase perdi o fôlego. Os relógios digitais dos tapes, do computador, estavam parados...fixos em 16h32m41s. Aí notei...estupefata...não havia um ruído sequer (esta era a sensação de desconforto que eu não conseguira até então identificar...) e nenhuma brisa, nenhum leve movimento...até um mosquito parara congelado no ar. Corri às janelas. A avenida Paulista era, lá embaixo, a mais pura imagem congelada que eu já vira em qualquer tela de vídeo. Literalmente boquiaberta, meio dopada pelo choque, voltei-me para ele. Sorria, triunfante:


-- Vê, minha cara? Não estou invadindo nada. Quando acabarmos de acertar nossos assuntos, não terá transcorrido, na sua vida real, mais do que este milésimo de segundo que congelamos em nossas consciências para poder negociar...


-- Negociar?


-- Negociar: cada trabalho excessivo que tive por você nestas 4 décadas por alguma compensação que você me possa dar em troca. Vejamos, por exemplo, aquela noite, na sua crise pessoal do tempo da Ditadura (desculpa, minha cara, prá passar as noites na boêmia, bebendo...) quando você, não bêbada, mas trêbada...


Ops, justo o assunto que eu queria evitar.


-- Ora essa -- desta vêz disse eu para uma terceira pessoa invisível-- e ele diz que é um anjo da guarda...Essa é boa. Uma droga de profissional, isso sim, um sujeito que fica reclamando de suas próprias obrigações! -- Voltei-me diretamente para ele:-- Não vou ficar aqui ouvindo as minhas temeridades passadas, seu anjo de uma figa. Você me salvou? Muito bem. Não fêz mais do que a sua obrigação!

 

-- E que santa obrigação... -- praguejou ele, prá minha surpresa capitulando.


-- Pare de se lamentar e me explique a sua aparência, que você ainda não explicou.


-- Não me dei ao trabalho, minha cara, de azucrinar o meu Supervisor prá vir aqui explicar a minha aparência. Não sei prá que tanto fuzuê pela aparência se você, afinal, nem sequer tomava conhecimento da minha existência. Vim, mas não pense que foi por prazer, foi por necessidade...


-- Necessidade de trabalhar menos. -- comentei seca e ironicamente.


--...de salvar a sua vida!


-- Essa é demais! Salvar a minha vida? Agora vai dizer, como o Nabil Ghorayeb, que eu tenho que fumar no máximo quatro cigarros por dia, andar a pé, alimentar-me corretamente?


-- E beber menos! Seria ótimo prá você, queridinha, e prá mim também, pois já estou cheio de segurar o seu fígado, soprar os seus pulmões, limpar a sua sujeira interna.


-- Não sabia que anjos da guarda eram também faxineiros.


-- Tenho que manter você viva.


-- E pelo jeito eu vou viver ainda umas boas décadas, já que você se deu a todo este imenso trabalho de vir aqui prá esta dobra temporal, arrastando-me contra a minha vontade e sem perguntar se eu queria, apenas prá tornar mais leves as suas atribuições profissionais. O que é que você quer afinal?


-- Quero que você escreva um livro.


-- Outro?


-- Não. Quero que você escreva o seu livro, o verdadeiro, o que está latente em você desde a mais tenra infância.


-- E o que você ganharia com isso?


-- Você seria mais feliz, mais realizada e eu...Bom, eu poderia ficar mais tempo paquerando as anjinhas,na minha nuvem conversível. Olhe, não vamos brigar. Afinal, eu sou o seu anjo, devemos ser amigos já que temos que viver grudados.


-- Pelo que me consta até hoje não notei nada grudado em mim.

Mas ele não estava mesmo disposto a continuar discutindo e ignorou o meu aparte.


--Mas tudo tem um custo: prá escrever o tal livro você precisa se libertar de alguns fantasmas do passado.


-- Anjo psiquiatra, linha freudiana. Liberte-se dos grilhões traumáticos e desabroche em pura criatividade!! Vá se lamber, Lebasi. Eu estou ótima, feliz e não preciso de palpites idiotas. Agora, até logo. Vou me mandar desta dobra temporal e esquecer o assunto.


-- Esquecer você irá, de qualquer forma. Quanto a voltar ao Tempo, só quando eu quiser.


-- Pois me mande de volta já!-- gritei.


-- Não sem acertarmos as contas.


-- Olha, você é um anjo enrolado e já se mostrou indigno de qualquer credibilidade. Primeiro disse que queria acertar as contas, depois muda de idéia e passa a dizer que eu é quem tenho que acertar as contas com o meu passado...qual é?


-- É a mesma coisa, ora!


-- O que é a mesma coisa?


-- Ai, santa burrice... Acertar as contas comigo é acertar as contas com você mesma.


-- Desculpe, meu chapa. Mas você não sou eu.


-- Claro que sim. Eu sou o seu anjo da guarda. É quase a mesma coisa.


Suspirei aliviada. Já estava começando a temer que ele fosse alguma coisa assim como a materialização de uma parte de mim e,prá ser sincera, não estava gostando nem um pouco da idéia.


-- Como você vai esquecer tudo isto aqui mesmo ao voltar ao Tempo, acho que vou lhe contar...


-- Vou esquecer? Agora é que eu não estou entendendo nada mesmo. Se eu vou esquecer, qual é o

propósito de toda esta comédia?


-- Os efeitos perdurarão no seu inconsciente.


-- Que droga! -- exclamei, pulando da cadeira.


Ele também se levantou e ficamos os dois a dar voltinhas nervosas pela sala. Por fim, acendeu

outro cigarro do meu maço, sentou-se confortavelmente e disse, com toda a calma:


-- Talvez a minha aparência esteja dificultando o nosso entendimento racional (sim, porque o emocional sempre foi difícil). -- E, como num  clip de Michael Jackson ou num programa de computador para cirurgia plástica, transformou-se num velho peregrino, uma figura de longos cabelos e barbas brancos, túnica idem, pés em grossas sandálias, cajado e muitas rugas.


Devo admitir que, imediatamente, passei a vê-lo com mais tolerância.


-- Minha filha, sente-se e acalme-se. Vou explicar tudo claramente, prometo.


-- Sim, você é um mestre em clareza -- respondi mal humorada.


Ele ignorou o meu sarcasmo:

-- Nós, anjos da guarda, somos extensões das almas. Vivemos numa outra dimensão, atemporal. Há muitas e muitas vidas que eu tenho carinhosamente salvo você na hora h. Você não pode, enquanto ocupar este corpo, lembrar-se de suas outras vidas. Já viveu, entretanto, aqui na Terra em outras oportunidades...


-- Você está dizendo que eu tenho uma alma e que esta alma já viveu também em outros planetas?


-- Você não tem uma alma, Isabel. Você é uma alma.E eu sou uma extensão dela. aquela parte que mora em seu inconsciente e cuja função é proteger, por meios acima das limitações da condição humana, a sua vida neste corpo. Porque vocês, quando seres humanos,são tão temerários e também distraídos! Arriscam-se além do possível e aí entramos nós, prá dar um jeitinho na teia cósmica e -- por milagre!-- salvar-lhes mais uma vez a vida. O que é, na verdade, estar salvando a nossa própria vida.

 

-- Ué, se sou uma alma e você é parte dela, renasceria de qualquer forma...


-- Dormiria com você o tempo que você dormisse...


-- A morte é dormir?


-- De uma certa maneira, apenas.


-- Você está me desviando do assunto. O assunto sou eu, no momento.


-- Ora, você é apenas um pedaço de mim.


Ele riu e apagou o cigarro que acendera antes de transformar-se em velho e cuja fumaça era, além de nós dois, a única coisa móvel naquele cenário atemporal.


-- Não --disse em tom de mestre escola-- aí é que está o ponto. Sou parte e fruto de sua existência mas, agora, já tenho minha própria vida no...bem...em alguma coisa que, se você pudesse entendê-la, a chamaria de...de Mundo da Fantasia. Portanto, enquanto estou vivo (isto é, enquanto você está vivendo) eu existo também no meu mundo, ao qual você, normalmente, não tem acesso.


-- Com uma consciência independente?


-- Mais ou menos, já que ela também depende da sua. Portanto, minha cara, eu realmente aprecio viver no ...ãhn...Mundo da Fantasia. Sou conterrâneo do Superhomem, de Apolo, de Vênus (ah...tão bela!), das fadas, gnomos, deuses de todas as mitologias, de todos os tempos. Esta aparência, por exemplo, tomei-a por empréstimo de uma figura que lhe é particularmente cara: Merlin.


Fiquei olhando prá ele com cara de pateta.


-- Vim -- continuou ele, como que adivinhando minha inquietação com aquela loucura absoluta -- vim apenas para  reavivar seu subconsciente sobre as suas próprias necessidades interiores e estou, de certa forma, cumprindo a mesma missão de sempre mas por métodos mais drásticos...


-- Métodos mais drásticos?


-- A teia cósmica também erra, você sabe...


-- Como "métodos mais drásticos"? insisti eu.


-- Você há de convir --respondeu com aquela expressão meio sábia e, ao mesmo tempo, sacana --que não é todo dia que as pessoas ficam pairando em dobras temporais e conversando com o seu próprio anjo da guarda...


-- Ora, isto não tem lógica -- protestei-- Se eu vou esquecer tudo depois, poderia acontecer todos os dias...


-- Não. Este é um momento raro --disse com súbita seriedade na voz.


-- Mas, afinal, qual é o propósito de tudo isto? Mudar minhas atitudes?


-- Você estava precisando de um empurrãozinho, de você mesma e do ...ãnh... Mundo da Fantasia. Agora você já sabe o que fazer.


-- Você vai embora? -- perguntei de repente.-- Não vá sem me falar mais do Mundo da Fantasia. Os mitos, os deuses, eles...

 

-- Eles estão lá, ou nós estamos lá, porque vocês nos criaram, é óbvio.


-- Deve ser superpovoado...


Ele deu uma gargalhada gostosa:

-- O universo não admite estes conceitos...o que você entende por superpovoado é uma migalha. Cada migalha no entanto --apressou-se em explicar-- é única, insubstituível, tem seu lugar na máquina, prá você entender melhor. Há zilhões de mundos e de formas de vida, para zilhões de almas sempre, eternamente, criando e criando e criando...


-- Se você está travestido em Merlin...quem é você de verdade? Qual a sua aparência no Mundo da Fantasia?


Os olhos dele pousaram na árvore de Natal. Os anjos, presos nos galhos do pinheiro por

pequenos fios dourado, imóveis...nenhuma brisa no ar...


Sorri, porque entendera. Um anjo, mas com qual aparência? Um anjo óbvio, barroco? Talvez gótico...ou desenhado pelos estúdios Disney? Um anjo da Luz? Ou um anjo das Trevas? Ou o Anjo da Guarda de Dominiquino?


-- Vamos embora? -- perguntou ele.


-- Eu vou ter que esquecer isso, vou? Você não pode conseguir uma exceção? Algo do livro de regras ou um tipo qualquer de "meio drástico"?-- perguntei, na minha melhor performance aliciadora.


-- Lamento.


Um segundo de silêncio, o que antecede às despedidas.


-- Mas-- disse ele, muito calmo-- a utilidade disto permanecerá, este é um "momento" de rara inspiração.


-- Gosto mais de você na persona Merlin do que naquele roqueiro.


-- Sou o mesmo, em etapas diferentes do que você chamaria Tempo.Você deve compreender a agressividade da juventude, lembra- se?


Eu me lembrava.


-- Foi legal conhecer você, mesmo que eu vá esquecer. Embora isto tudo seja muito, muito louco e a minha cabeça esteja tão desorientada que,  talvez acreditasse até em Papai Noel, já que é Natal...


-- Ele está lá, no Polo Norte do...ãnh...Mundo da Fantasia. Pense: no Natal, grande parte das mentes do seu planeta se ligam nesta mesma idéia, assim como se voltam para a meditação, mesmo que por poucos instantes, de temas como paz universal, mais tolerância no dia-a-dia, mais amor, mais compreensão...Tudo isto cria o Espírito de Natal e seu símbolo, o velho barbudo Noel...Aliás, joguei tênis com ele neste fim de semana.Antes é claro de começar esta missão. Você sabe, no Natal chegam os Anjos...


E transformou-se, com um brilho indescritível que invadiu todo o ambiente por um breve e belo instante, num anjo de uma beleza clássica e serena, um dos mais belos seres de que tenho lembrança. Sua beleza me atingiu como um soco e então, leve e suavemente, ele se desvaneceu ante meus olhos, como um suspiro, um acorde final.


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Eu estava colocando anjos na árvore de Natal, quando, por uma fração de segundo, tive a desconfortável sensação de que todos os sons haviam cessado. Um arrepio percorreu meu corpo, a partir de um ponto nas costas. Sacudi a cabeça e, então, olhei --não saberia dizer porque, afetuosamente-- e sorri de leve para os anjos que pendiam dos galhos verdes.

 

1992, dezembro, 24

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