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Incesto

  • Foto do escritor: SAUDE&LIVROS Fomm
    SAUDE&LIVROS Fomm
  • 15 de fev.
  • 1 min de leitura

por Isabel Fomm de Vasconcellos Caetano



Se voltasse no tempo, tinha que admitir que, desde muito criança, desejara aquela mulher. O grande problema é que aquela mulher era a sua mãe!    

 

Tentara. Deus era testemunha que ele tentara. Procurara nas menininhas, nas adolescentes, alguma semelhança física – e por que não? – até espiritual – com a grande atração da sua vida. Leu Freud. Tentou compreender. Mas a vida era um tormento. Afinal, tinha que viver com ela, conviver com ela, vê-la todo o tempo, deseja-la todo o tempo, querendo voltar a ser um bebê para chupar-lhe as tetas... Meu Deus! Era a sua mãe! E ele a desejava como jamais desejara mulher alguma.

 

Arrumou uma bolsa e foi estudar na Espanha. Um oceano atlântico separando-o dela talvez o curasse. Mas em todas as amantes, a semelhança com ela. Orgasmo, só se imaginasse que era ela, ela, ela, que estava ali na cama com ele.

 

Bebeu todas. Tomou todas as drogas. Tentou. Mas não tinha jeito.

 

Quando voltou ao Brasil, ela já tinha passado dos setenta. E ele, dos cinquenta… um dia, entrou no quarto de viúva dela, agora, que o pai tinha partido, talvez fosse possível. Disse simplesmente:

 

-- Mãe, desde criança te desejo. Posso dormir na sua cama?

 

Ela riu. E estendeu os braços para ele. Afinal, era o seu filho querido.


Bel, 2026, fevereiro, 14

 

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